RITA FILIPE  designer

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(…) Just be, and live 1

Statement                                                                                     

  Interessa-me muito a realidade do espaço doméstico, como espaço de lazer, de trabalho, de convívio, de conforto, de contemplação: é geralmente em casa que me sinto inspirada, onde surgem as ideias - por ali procuro maneiras de estar, inquietações, sonhos.

  O espaço doméstico está cheio de histórias, objetos que lembram situações, a nostalgia dos estados de espírito que me inspiraram - os objetos estão cheios de sons e brilhos - e a música que ouvia nesta ou naquela cidade; é o espaço fundamental, e o seu significado não pode ser tomado como definitivo.

  A experiência quotidiana no espaço privado está cheia de referências em hibridação, contrastando com os aspetos restritivos da vida social, no que se refere à nossa maneira de estar e ao uso que fazemos dos objetos.

  Encontro-me neste momento a desenvolver uma pesquisa concetual para a consolidação de um processo criativo pessoal, no âmbito do design de produto. Para tal faço recurso à criação de laboratórios de contextualização, que são como ‘stocks of knowledge’ - pequenos laboratórios de inspiração que tornem evidentes possibilidades criativas.

  Assim, proponho a conceção de ‘instalações’ ou ‘montras’, para ilustração da cultura material e visual contemporâneas, com o objetivo de caraterizar e enunciar contextos, comportamentos e situações presentes na vivência quotidiana do espaço doméstico, e que dêem legitimidade intelectual à produção de novos conceitos.

  "Trabalhar com um plano pré-definido é uma forma de evitar a subjetividade. Também óbvia a necessidade de pensar um trabalho de cada vez. O plano define o trabalho. Alguns planos requerem milhões de variações, e outros um número limitado, mas ambos são finitos. Outros planos implicam infinidade. No entanto, em cada caso, o ‘artista’ deve escolher o processo e regras mais básicas que orientem a solução para o problema. Depois disso, quanto menos alterações ao plano inicial, melhor. Isto elimina a arbitrariedade, o capricho, e o subjetivo o mais possível. Estas são as razões para usar este método (…) Este plano torna-se o objetivo, enquanto a forma se torna o meio." 1

 "As boas ideias geralmente parecem simples, porque parecem evidentes". 2


1. Piero Manzoni, Free dimension, Galerie Azimut, Milão 1960.

2. Sol LeWitt, ‘Paragraphs on Conceptual Art’ in Art Forum, vol.5, no.10, Summer 1967, pp.79-83 (tradução livre).